Reprodução da matéria publicada na edição n°02 do informativo Castorzinho da Eucatex em 1979

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O Castorzinho descobriu um garoto, irmão da Secretária do Diretor Comercial da Eucatex, Magali Pissardini, que tem uma aptidão incrível para criar estórias em quadrinhos. Seu nome é Marcelo e tem apenas 11 anos.

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Essa inclinação para o desenho é muito antiga, começou quando Marcelo tinha uns 4 ou 5 anos. Assim que entrou na escola, qualquer momento de folga era reservado para ler revistas em quadrinhos, principalmente as da Mônica. Desse modo, logo iniciou sua produção, copiando os quadrinhos das revistas.

 

Daí pra frente, não houve quem segurasse o menino, passou a criar suas próprias estorinhas, mas ainda com os personagens do Maurício - a Mônica e sua turma - até o dia em que se aperfeiçoou a tal ponto que começou a bolar seus próprios ersonagens como a Glorinha, o Carlinhos, a Adriana, o Totó e o Alberto.

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Os personagens de Marcelo não tem atitudes sempre iguais "senão todo mundo sabe como a estória vai terminar" - explica Marcelo. Seu objetivo é fazer estórias com personagens tirados da vida real e não com super-heróis. Nos seus gibis nem sempre o mocinho ou a mocinha ganham, podem vencer ou perder.

 

Com muita perspicácia, Marcelo presta atenção em todas as coisas que vê, ouve ou lê, vive intensamente cada situação, para depois juntar tudo que passa na mente e coloar no papel. Primeiro apenas a estória escrita e depois os desenhos. "As idéias vêm de repente, inclusive quando já estou quase dormindo", conta Marcelo. "Quando isso acontece, lá vou eu para o papel".

 

Utilizando apenas um pedaço de papel e uma caneta esferográfica, Marcelo faz seus personagens com um capricho incrível. "Não gosto de fazer nada sujo ou rabiscado. Se não estiver do jeito que eu quero e gosto, jogo fora e começo tudo de novo".

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As revistinhas do Marcelo são iguais às que se compra nas bancas, inclusive com propaganda no meio e na contra-capa: "Vi as propagandas nas outras revistas e achei que seria bom colocar também nas da Glorinha e do Carlinhos. Com a propaganda, aviso os leitores sobre algum futuro lançamento, sobre a revista que vai sair em seguida e deixo meu trabalho mais completo".

 

A preocupação de Marcelo não está apenas nos desenhos, conforme sua explicação: "Acho que a revistinha pode, além de divertir, ensinar e é por isso que, para não repetir muito as palavras, uso o dicionário. Quando escrevo algum termo mais complicado, ponho-o no final da página com seu significado".

De vez em quando Marcelo lê alguma coisa sobre o que está acontecendo econômicamente e politicamente dentro e fora do país, mas prefere a inocência do mundo infantil. Nos seus quadrinhos quer transmitir apenas coisas bem leves, preservando as crianças das coisas ruins, ao mesmo tempo que oferece aos adultos a oportunidade de viverem um pouco no mundo do "faz de conta".

 

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